sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Pequena Miss Sunshine
Pequena Miss Sunshine
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Roteirista: Michael Arndt
Elenco: Abigail Breslin, Greg Kinnear, Toni Collette, Alan Arkin, Steve Carell e Paul Dano.
Do que se trata?
O filme fala sobre algo bem simples: uma família como qualquer outra, um casal, dois filhos, um avô e um tio. Ou ao menos seria sobre isto, se o filme fosse algo simplório e sem-graça. Só que nenhuma família é tão normal assim, e é nisto que se cria a confusão engraçada que é o filme.
Mas o foco da história é: o membro mais novo da família, uma garotinha chamada Olive (Abigail Breslin), é convocada para participar de um concurso de Miss na Califórnia, e ,para ir, esta família, (a)normal (aviso desde o logo) precisará cruzar estados norte-americanos para chegar até o tão aguardado concurso "Pequena Miss Sunshine".
Como realmente é:
É aquele tipo de filme que a sinopse te engana. O tipo de filme que te dá uma rasteira quando você começa a sentir o que ele emana para além da tela. As personagens são reais, um tanto exageradas, porém são bem reais. É o pai que, como todo bom americano, vê o mundo dividido entre perdedores e vencedores, e com esta mentalidade, joga o futuro da família num plano de "8 Passos para o Sucesso". É a mãe que se vê cada vez mais sem forças, tendo de carregar o peso da família nas costas, trabalhar fora e acumular responsabilidades em casa, e ficando cada vez mais insanecida.
É o tio que tenta se matar, depois de uma desilusão amorosa homossexual que, de bônus, ainda destrói suas perspectivas profissionais.
É o garoto excluído e fascinado em filosofia (no caso dele, Nietzsche), que se exclui da família e do mundo para lutar pelo único sonho que acredita: pilotar aviões no exército.
É o avô, um ex-soldado de guerras, e atual viciado em heroína. (o segundo membro que tem mais sanidade na família inteira)
E, por fim, é a garotinha que tem um sonho. É a garotinha que você percebe nitidadmente que vai ser arrasada em qualquer concurso de beleza, gordinha, quatro-olhos (me perdoem os que usam óculos), a peça que não se encaixa no padrão de beleza. Mas que, mesmo assim, tem o sonho de tentar, e com esse sonho, mobiliza e força uma família inteira de zero em comum, a entrar numa kombi amarela e cruzar os EUA.
O que achei:
Majestoso. Você não dá nada pelo filme, e acha que ele pode se reter a piadas grosseiras e forçadas, mas ele decide caminhar numa tênue linha entre drama e comédia. Todas as personagens são bem exploradas, e as atuações são dignas de lágrimas (de felicidade); é muito bom ver o Steve Carell, conhecido por comédias clichês como "O Virgem de 40 Anos" fazendo um filme totalmente independente, e mostrando um belo potencial. O Paul Dano, bem como a Abigail Breslin, que interpretam os filhos, dão um espetáculo; a naturalidade é absurda.
O roteiro é bom, evitando clichês, mas sempre espetando o absurdo; muitas situações ali são inimagináveis, porém até essas cenas ficam majestosas, bem calculadas para não deixar que o absurdo se torne a figura principal, mas sim a insanidade das personagens. É uma família insana, que acaba usando a sua insanidade, disfarçada sempre de normalidade, para conseguir sobreviver, e se juntar, com o objetivo de agradar a caçula. Talvez, no fundo, seja mais do que uma jornada para um concurso de miss, mas sim uma jornada para cada um deles achar o seu espaço dentro da própria família, que, se eu não estou indo longe demais na filosofia, seja como a sociedade. Um organismo vivo, e talvez já adoecido.
A fotografia é esbelta, muito bem feita, alguns planos longos, cenários bem escolhidos. Um primor.
E a direção? Sem comentários, a dupla de diretores consegue extrair o melhor de todos, e fazer um filme de drama com pitadas de um humor seco, amenizando o clima que podia ser de total depressão e nostalgia entre as personagens. O ritmo acaba ficando sempre num meio termo entre ser lento e ser rápido, o que pode incomodar a alguns, mas eu acabo adorando, porque permite que você sinta cada cena e absorva cada fala sem se sentir cansado do filme.
Uma nota?
8.5
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