segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Chave de Sarah

A Chave de Sarah
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Roteiristas: Gilles Paquet-Brenner e Serge Joncour
Elenco: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup, Frédéric Pierrot, Michel Duchaussoy, Dominique Frot, Natasha Mashkevich, Gisèle Casadesus, Aidan Quinn, Sarah Ber

Do que se trata?
O filme conta a história de uma jornalista norte-americana residente na França, nos tempos atuais, que investiga a história do recém-adquirido apartamento, um legado de família, num bairro conhecido por abrigar muitos judeus antes da ocupação nazista na França. Acreditando que o apartamento, originalmente, pertencia a uma família judia e forçada a desocupá-lo nos tempos da Segunda Guerra, ela inicia uma jornada ao passado não só do apartamento, mas da família do marido, para achar a verdade e os antigos donos, na esperança de poder devolver a eles o que lhes é de direito: o apartamento.

Como realmente é?
O filme é uma história emocionante sobre nazismo, tempos de guerra, promessas e esperança. A protagonista real não é a jornalista, mas sim o seu objeto de pesquisa: uma, na época, garotinha chamada Sarah, cujo nome não consta em nenhum documento oficial sobre as mortes em campos de concentração, embora ela tenha estado em um. Trabalhando nesse paralelo presente-passado, o filme embarca em cenas dignas de lágrimas e comoção quando se volta para aquilo que o tempo já se ocupou de destruir, contando a história da jornada da Sarah para voltar ao seu antigo apartamento em Paris e, com a chave do armário que ela guarda com todas as energias, poder abrir o tal armário e desaprisionar o seu irmão, que foi ali aprisionado por ela numa tentativa de salvá-lo dos oficiais franceses que foram buscá-los. Enquanto isto, no presente temos a jornalista, a ponta entre o passado e o presente, e seus próprios dramas familiares: divórcio, gravidez, e brigas conjugais, além da relação com os sogros que foi abalada pela busca da história do apartamento.


O que eu achei?
Um desperdício. Não de tempo!, mas sim de roteiro. O roteiro tinha praticamente todos os elementos para ser brilhante, fenomenal, emocionante e dar o merecido 10 para o filme, porém falhou. Ele consegue ser perfeito, mas só na metade passado do filme, com uma história toda bem estruturada, bem feita, digna de lágrimas, uma fotografia realmente tocante e na medida, com tomadas em movimento que te faz arrepiar a espinha dorsal. Contudo, quando se trata do presente, ele falha intermitavelmente. Creio que uma boa meia hora do filme era bem desnecessária para a obra, que teria sido bem melhor sem ela. As dramas da protagonista, quando não desrespeitam ao apartamento e sua história, são superficiais, banais e clichês, se retendo a brigas conjugais com o marido, um dilema um tanto bobo quanto a sua gravidez em idade avançada e um marido que teima em não aceitar a idéia dela vir a ter o filho. Tudo bem superficial. Tudo bem cortável.
Entretanto, é tudo perdoável; já como o filme está quase sempre no passado, você acaba se esquecendo do presente e vive toda a dor da pequena Sarah na França tomada por nazistas, a sua família que lhe é arrancada dos braços, o irmão aprisionado no armário. Porém, a partir de um ponto o filme perde esse ritmo, e a trama é puxadas mais para aquilo que está de fato acontecendo. Então, o ritmo do filme desanda totalmente. Temos uma história banal, personagens, fora a jornalista, que nunca foram, até então, explorados ao fundo, e assim toda a obra do roteiro é abalada; ele se perde completamente. Diria que, do ponto em que passamos a saber tudo sobre a vida de Sarah, o filme fica sem lógica, sua luz vai embora até, no final, entrar nas trevas totais, tendo um final clichê, digno de filmes norte-americanos basicos e que desmerecesse muita coisa.
Como eu disse, achei o filme um grande desperdício: uma história muito boa, fenomenal, belíssima, contudo mal trabalhada. Ver algo assim é uma das maiores dores possíveis.

Em uma nota?
7.5

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Apenas o Fim

Apenas o Fim
Direção: Matheus Souza
Roteirista: Matheus Souza
Elenco:Gregorio Duvivier, Erika Mader, Marcelo Adnet, Nathália Dill.

Do que se trata?
O filme conta a história de uma garota que decide terminar com o seu namorado para concretizar sua fuga rumo a algum lugar desconhecido. Com apenas uma hora para passarem juntos, eles se põem a andar pelos caminhos da PUC revivendo o passado da relação, atenuando questionamentos do presente e imaginando cada qual o seu futuro: um sem o outro. E, entre as idas e vindas das lembranças, deixam os sentimentos voltarem e as dúvidas oscilarem, enquanto, ao mesmo tempo em que percebem como são estranhos um ao outro, sentem como são diferentes do que eram.
Se trata, acima de tudo, sobre o Tempo, sobre infelicidade, sobre mudança e sobre o amor.


Como realmente é?
É um filme bem diferente do que se pode esperar. Tendo todos os ingredientes para ser um perfeito drama de nostalgia e depressão, como o casal em crise, os personagens existenciais, as dúvidas, as incertezas, as infelicidades, ele acaba fugindo de praticamente todas as rotas convencionais e trilha um dueto de humor e drama muito bem estruturado. O fim já deixou de ser uma variável; é uma realidade a ser aceitada, e dessa maneira ele acaba se tornando um coadjuvante dentro da trama. O que verdadeiramente importa no filme não é o que está acontecendo, mas sim o que aconteceu: o passado é aquilo que está a ser discutido. Mas, mesmo com esse adicional de suposta nostalgia, o filme não cai na rota da depressão e continua seu dueto de refinado humor sutil nos detalhes.


O que eu achei?
Encantador. Ambas personagens são encantadoras, porém o garoto mais que a garota: ele é um perfeito ex-nerd, ou então ainda nerd, que anda com os óculos do avô, camisas do Star Wars, coleciona bonecos e sabe tudo de cultura nerd, enquanto a garota faz o tipo de menina tranquila, despachada, com mente liberal e bem-humorada, contudo com dramas existenciais e uma infelicidade que a persegue a todo instante.
Sempre numa dança de passado e presente que, além das retomadas indiretas no jogo de diálogo entre eles, se faz também em flashs diretos em preto e branco de momentos dos dois no passado, o roteiro caminha de uma maneira muito boa. Simpático, descontraído, original e entupido de piadinhas referentes a toda uma geração, são apenas algumdas das características do roteiro. No fundo, ele é todo bom, dando margem a filosofia e a profundidade das questões do tempo atual, ou seja, o término e todo o peso que ele traz consigo, entretanto dando espaço ao sonho para com o futuro e ao humor. São jovens discutindo o amor e sepultando-o, de certa forma. São jovens vivendo o fim daquilo que construíram, mas que fazem o que é certo: fazem do fim apenas o fim. E, desse jeito, o filme estabelece seu grande pilar: encarar o fim como a coisa menos importante de todas. O grande desencadeador da história é o que menos tem holofote para os dois jovens; o que realmente importa são as lembranças, são as memórias, é o passado morto mas nunca enterrado. Se no início o garoto dá tanta importância ao martelo da separação, durante a caminhada-conversa dos dois ele finalmente entende que é o fim, porém não o esquecimento.
E o fim, ah, o fim é apenas o fim. Encantador e triste, mas é apenas o fim.

Em uma nota?
9.0

Quer saber uma curiosidade?
Ele foi todo filmado, produzido, dirigido e escrito por alunos da faculdade de cinema da PUC, com recursos amadores e capital longe de qualquer quantia que se assemelhe a uma grande produção. O que só deixa o filme mais encantador. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Pele Que Habito

A Pele Que Habito
Direção: Pedro Almodóvar
Roteirista: Pedro Almodóvar, baseado no livro "Tarântula" de Thierry Jonquet.
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Roberto Álamo, Blanca Suárez, Eduard Fernández.


Do que se trata?
Se trata de um médico aparentemente normal, uma mulher mantida refém e um passado que não se deixa morrer. Robert Ledgard é uma espécie de cientista do Frankstein modernizado, que tem a missão de construir uma pele que seja resiste a dor e ao fogo, e nas costas duas grandes dores: a perda da mulher e, depois, o suicídio da filha. Para testar a sua nova pele, ele mantém como refém uma jovem e bela mulher chamada Vera que, logo de cara, sabemos não ser uma vítima comum de estupro: há um algo entre eles, que se constrói aos poucos, numa mirabolante viagem ao passado.


Como realmente é?
Do tipo que nenhuma sinopse ou tentativa de sinopse é capaz de passar a verdadeira idéia do filme sem acabar destruindo a expectativa que o filme cria. É de uma genialidade incrível, e vai além de qualquer idéia pré-estabelecida. No fundo, o que menos importa para o rumo da história é exatamente a tal pele formidável que o Robert trabalha tanto, e até o próprio presente não tem tanto significado, ao menos não no início e no meio. Ele só terá quando os pontos entre a viagem ao passado feita na metade do filme e o presente forem se estabelecendo de uma maneira formidável. Primeiro, você estranha totalmente o que está a acontecer: nada faz sentido. Por que, de repente, uma viagem a seis anos atrás? Qual o sentido? Entretanto, tudo começa a fazer sentido, e todas as primeiras impressões que você criou no início sucumbem: nada é muito o que parece ser.

O que eu achei?
Genial. O filme parece algo simples, uma história mirabolante, é verdade, porém nada te deixa crer que haverá tamanha reviravolta quanto uma viagem a um passado nunca imaginado por qualquer um. Fatos que não teriam tanto sentido se explicados no presente, são apresentados com maestria pelas lembranças de um Robert finalmente feliz e deitado na sua cama, que reconstrói para si e para nós os verdadeiros, porém errôneos, caminhos que o fizeram chegar até ali. E se, por um momento, você acredita que finalmente compreendeu tudo, o Almodóvar faz tudo ruir novamente. Porém, acho que tiveram partes desnecessárias do roteiro, como uma breve explicação dada pela fiel serviçal do Robert, Marilia, sobre a origem nada rica dele e um irmão nunca conhecido como tal, mas sempre odiado como ser humano. Claro que a existência desse irmão foi fatal para o resto da história, porém não creio que houvesse real necessidade de se explicar a origem humilde do nosso rico protagonista.
Entretanto, não é nada que abale o quão maravilhoso é o filme: atuações fantásticas, em especial do Antonio Banderas, e uma fotografia muito bonita, especializada em atenuar a dor das personagens e transferi-la para o espectador, um ritmo muito bom que nunca deixa o filme desandar ou cair em melancolia ou filosofia demasiada: a todo momento se está mostrando e destruindo realidades. Esse é um dos pilares do roteiro do Almodóvar: refutar o que ele mesmo nos faz acreditar.
Uma refém não é meramente uma refém. Uma mulher não é meramente uma mulher. Seis anos nem sempre são o suficiente para se enterrar ou se soprar certas cinzas. E realmente, nem tudo é aquilo que parece ser.

Em uma nota?
9.5

sábado, 12 de novembro de 2011

Bastardos Inglórios

Bastardos Inglórios
Direção: Quentin Tarantino
Roteirista: Quentin Tarantino
Elenco:  Brad Pitt, Christoph Waltz, Michael Fassbender, Eli Roth, Diane Kruger. Daniel Brühl, Til Schweiger e Mélanie Laurent

Do que se trata?
Difícil de falar. O filme engloba meio que duas histórias inicialmente em paralelo, mas que começam a converter para um ponto em comum: matar Hitler. Ambientado na Segunda Guerra Mundial, ele fala sobre a história de uma judia que tem a família massacrada por um nazista conhecido como "O Caçador de Judeus", Hans Landa, mas que foge a tempo de não morrer. E, de outro lado, a história de um esquadrão formado apenas por judeus, que vai dos Estados Unidos para a Europa com um propósito bem simples: matar o máximo de soldados nazistas que for possível, de maneira brutal, sangrenta e totalmente impiedosa.


Como realmente é?
Um filme do Tarantino. Tem a marca dele em todas as cenas, em todas as partes. O filme destrói a história do nazismo, em especial do fim do Hitler, como conhecemos na escola. Em si, não tem a menor intenção de ser historicamente correto: o ponto é ser historicamente irônico. Dividido em capítulos, a história viaja de um ponto ao outro sem a menor explicação, o que pode te deixar meio perdido no início, mas faz total sentido no tempo certo. Tudo flui de maneira natural e não-forçada, com um toque de humor negro tão refinado que você ri do absurdo que é tudo aquilo, e ao mesmo tempo fica tenso pelo o que vai acontecer. Tudo é imprevisível, tudo é possível. Ainda mais quando você pega a história da Segunda Guerra e bota nas mãos da insanidade do Tarantino.

O que eu achei?
Estrondosamente maravilhoso. Ele é do tipo que bota um sorriso de ponta a ponta no seu rosto. Não é bonito, nem belo, mas apenas irônico, satírico, entupido de humor negro e insanidade, porém tudo isso na medida certa. As atuações são estupendas mesmo, em especial o Cristoph Waltz como o imprevisível e louco coronel Hans Landa, o "Caçador de Judeus". Esse cara dá um espetáculo em praticamente todas as cenas, contudo em especial na primeira cena do filme e numa das últimas; parece que ele nasceu pra esse papel de nazista louco e absurdamente esperto. O Brad Pitt, badalado ator de Hollywood, conhecido por papéis banais e desprezíveis em filmes clichês, também tem uma atuação muito boa, como o líder do querido bando "Bastardos Inglórios" que caçava os nazistas pela França ocupada. Melhor para por aqui sobre as atuações, senão terei de falar sobre cada uma delas, porque todas são excelentes.
O roteiro é muito bom mesmo, cheio de sarcasmo e inteligência. É tudo natural, bem natural. As falas fluem de um lado ao outro como você imagina ser possível se tudo fosse real. E tudo se prende, se junta, se funde. Os capítulos todos fazem sentido tanto isoladamente como em conjunto. Claro que ele não tem nenhuma amarra em ser a história nua e crua como conhecemos, e muitos podem até reclamar deste fato, eu, entretanto, amei mais ainda. Foi a imaginação de alguém que criou todas aquelas personagens insanas, famintas de vingança, poder, glória e sangue.
E, para completar com as atuações brilhantes e o roteiro praticamente perfeito, vem uma fotografia maestral. É bem difícil vir falar dela, bem mesmo. Ela muda de cena pra cena, raramente fica estática; está sempre indo e vindo entre as personagens, captando suas falas e seus rostos. Os cenários são muito bem elaborados e escolhidos, a paisagem belíssima, em especial no início.
Vamos resumir tudo: o filme é, me desculpem os mais polidos, mas o filme é foda. E essa é a verdade, nua e crua. Roteiro perfeito, elenco perfeito, direção perfeita. Como não gostar? A história é uma insanidade que te prende mesmo, é absurda, é louca, e é encantadora. Judeus pirados indo numa caçada demoníaca para matar nazistas da forma mais brutal possível? Uma judia sedenta de vingança? Todos juntos para matar o demônio, digo, Hitler?
É uma viagem. E é uma viagem deliciosa.

Em uma nota?
10 - não tem nem o que discutir. Se pudesse, dava 11. O filme merece mesmo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Nevoeiro

O Nevoeiro
Direção: Frank Darabont
Roteirista: Frank Darabon
Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Alexa Davalos, Willian Sadler, Laurie Holden, Chris Owen, Nathan Gamble, Andre Braugher

Do que se trata?
Se trata de um supermercado ilhado em névoa. De um nevoeiro nunca antes visto. De criaturas tenebrosas. De pessoas diferentes presas juntas. De medo, pavor, desespero. De máscaras caindo. De desestabilidade. De insanidade.  Da sociedade. De um pai disposto ao possível e ao impossível para salvar seu filho.
Se trata de nós.

Como realmente é?
Muito além de qualquer expectativa. Quando vi este filme, não sabia do que o Stephen King e qualquer obra sua era capaz; talvez, se soubesse, teria uma prévia de o quão psicológico este filme poderia ser. Embora o filme não seja do King, ele é baseado numa obra dele, e acho que talvez não seja a toa o título de "Mestre do Terror" para o Stephen King. O cara sabe como nos prender pelo psicológico. Aos poucos, o que menos importa é o nevoeiro e suas critaturas bizarras; passamos a ter medo dos humanos. Se você acha que este é um filme qualquer clichê de terror, com monstros, sangue e sustos, engana-se letalmente: você está diante de uma obra de puro terror psicológico.

O que eu achei?
Cara, fantástico. O filme é um excelente terror psicológico que vai mexendo aos poucos com a sua cabeça. Começa como um filme qualquer de terror, o nevoeiro branco tomando conta de tudo lentamente e, de repente, todos presos naquele supermercado. Depois, os primeiros indícios de monstros habitando o nevoeiro, e uma certa dose de pavor já circulando o ar. Contudo, conforme a "força" do nevoeiro cresce dentro das pessoas, a suposta sanidade que nos envolve começa a sucumbir. A loucura e o medo tomam as rédeas, e a partir daí percebemos como tudo se torna tão perigoso dentro do supermercado como fora dele. Se do lado de fora temos a cegueira branca de não poder ver o que há a 10 metros de distância, dentro há a cegueira igualmente branca de não poder agir com razão.
Parece que o supemercado se torna uma metáfora do que pode ser visto como a nossa própria humanidade e sociedade. Primeiramente, todos controlados diante do nevoeiro, com as feições cobertas de razão: seres humanos racionais. Contudo, ao primeiro alarme de que dentro do nevoeiro pode habitar algo que está além dos limites de compreensão humanos, esta razão diminui e o medo começa a cavar seu buraco. Desde então, gradualmente, todo o controle que fingimos ter sobre nós mesmos vai ruindo e o medo toma plenos poderes daquelas pessoas ali trancafiadas e um tanto largadas à sorte. E, como cegos lançados a um mundo desconhecido e impalpável, elas tentam se agarrar a qualquer algo que lhes dê confiança, e assim vão para a religião. E o seu fanatismo.
É um dos filmes de terror que eu mais senti a presença do humano como objeto do próprio terror. A maneira como o diretor explorou a obra do Stephen King, conhecido como o Mestre do Terror Psicológico, e assim destrinchou toda a humanidade no filme é belíssima. Além da dualidade sanidade/insanidade, há também o sofrimento e a dor humanas, sempre muito bem exploradas por uma câmera certeira no foco e que dava um pequeno zoom nas expressões faciais de algumas personagens.
As atuações são muito boas, passando uma naturalidade bem feita sobre o próprio ser humano. São pessoas reais interpretando papéis reais, e realizando, assim, um perfeito retrato do que é, ou pode ser, o nosso mundo em tempos de crise. Do que somos nós sem as verdades que construímos para nós mesmos.
No final, você não vai ter medo dos monstros nem do nevoeiro. Vai ter medo de nós, seres humanos.

Em uma nota?
9.0 

Uma dica: 
Se você gostou do filme, vale a pena conferir o texto "O Nevoeiro" do Stephen King, um conto com aproximadamente umas 120 páginas, muito bem escrito e que diverge do filme em poucos pontos. É um excelente conto.