terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Estrada

A Estrada
Direção: John Hillcoat
Roteirista: Joe Penhall, Cormac McCarthy (livro)
Elenco: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Robert Duvall, Guy Pearce.

Do que se trata?
Se trata de um pai tentando manter seu filho a salvo em mundo sem civilização. Depois de um trágico e inexplicável colapso da natureza, a civilização como nos é conhecida, e toda a sociedade, entrou em colapso. Em meio a isso, um pai luta contra todos os obstáculos, desde frio e fome até o próprio homem, para garantir a sua sobrevivência e a do filho, enquanto eles tentam ir para o Sul, a única esperança que lhes resta.







Como realmente é?
Bem mais que uma história de um pai lutando para salvar seu filho do perigo; é, sim, uma fábula sobre como poderia ser, em uma visão bem pessimista, o mundo se a civilização fosse rompida. Ambientado num mundo devastado por uma gravíssima crise ambiental que matou a maioria dos animais e plantas, a história trabalha entre as lembranças criadas pelo pai sobre a esposa dele, em paralelo com o presente que ele vive, ou sobrevive, com o filho. A luta por comida se tornou desumana e o próprio ser humano parece se esquecer o que ele mesmo é; a civilização deixou de existir, a sociedade foi destruida, os contratos sociais foram quebrados. E nesse mundo apocalíptico, tendo como lei a sobrevivência e a insanidade, o maior medo não é morrer, mas sim ser comido antes de morrer.

O que eu achei?
Incrível, apesar de bem pesado e depressivo. Seguindo a mesma tendência de desbravar o ser humano vista no "O Nevoeiro", o "A Estrada" consegue ir ainda mais fundo: se num o ser humano perdia o senso racional pelo medo, mas ainda vivia em uma sociedade, neste a própria sociedade deixou de existir, e o conceito de humano parece ter morrido com ela. Todo ambientado em cenários destruídos, a fotografia do filme se mantém perfeita sempre baseada em tons de cinzas e cores mortas, que só ganham vida quando o roteiro retoma ao passado dos protagonistas, nos remetendo ao mundo pré-devastação, à felicidade e à vida de verdade. Porém, conforme as lembranças vão caminhando para o presente, sentimos a degradação temporal da esperança, e se tanto o pai quanto o filho lutam tanto pela sobrevivência, parece que esta luta é mais uma teimosia de tentar até o final do que verdadeiramente fé de um bom final.
Ficando, volta e meia, nessa dualidade presente-passado, o roteiro se constrói de maneira perfeita. Frio, porém sensível, realista, porém esperançoso, direto, porém sutil. Assim, ele se mantém em sutilezas muito bem colocadas, numa linguagem hora poética e hora dura, que se apoia bastante em expressões faciais e na fotografia maravilhosa, construindo um ritmo muito bom que não nos deixar cair em demasiada depressão e sempre nos faz querer saber o que acontecerá em seguida. Enquanto isso, nos barbarizamos nas figuras humanas-animais que vemos nesse mundo sem civilização, sem sociedade, sem lei e sem contratos sociais.
Se um dia já nos perguntamos como seria o mundo sem quaisquer uma dessas coisas, a obra nos dá uma resposta pessimista sobre tudo. E se um dia já fomos capazes de nos perguntar até que ponto um homem seria capaz de ir pela sobrevivência, o filme nos responde em uma frase de Hobbes: o homem é o lobo do próprio homem. Contudo, nem Hobbes contava com um sentido tão literal, creio eu.

Em uma nota?
8.5

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