Manhattan
Direção: Woody Allen
Roteirista: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Michael Murphy, Mariel Hemingway, Meryl Streep, Anne Byrne, Karen Ludwig, Michael O'Donoghue, Damion Sheller
Do que se trata?
O filme conta a história de Isaac, um escritor nova-iorquino apaixonado pela sua cidade moradia e que escreve para um programa de comédia da televisão. Já um quarentão e com dois divórcios no passado, um deles sendo desmembrado publicamente pela ex-esposa num livro, ele mantém uma quase-relação com uma jovem de dezessete anos, a qual ele mesmo repudia a todo momento pela enorme diferença de idades. Enquanto isso, seu amigo Yale, casado, tem um caso com uma mais velha e interessante jornalista, aparentemente o oposto do Isaac, mas que acaba por despertar algo nele.
Como realmente é?
Um dos primeitos filmes do Woody Allen, filmado em preto-e-branco, que mostra muito bem o universo criativo do Woody, sempre habitado por filósofos, escritores, roteiristas, jornalistas, artistas, figuras do meio "cult" nova-iorquino. Habitado sempre por diferentes frações do próprio diretor, provavelmente. E dessa vez o protagonista é um escritor meio perdido entre abandonar tudo e se dedicar a fazer arte ou continuar escrevendo roteiros medíocres para um programa de grande massa, que se sente culpado por namorar uma colegial ao mesmo tempo que se deixa apaixonar por ela e sua aura leve e pura de amor benévolo. Porém que se apaixona pela amante de seu melhor amigo, uma mulher na sua faixa etária, com desestabilidade emocional, tendência a carência e depressão, e profundamente interessante.
O que eu achei?
Um filme leve e divertido. Um dos melhores filmes que eu ja ví do Woody Allen, com a mesma fórmula de roteiro típica do Woody Allen: falas rápidas, um protagonista meio neurótico e artista, humor seco, sexualidade em alta, dilemas morais. Se no "Tudo Pode Dar Certo" ele pensa sobre a moralidade da vida e a existência da felicidade, aqui ele pensa, e repensa, sobre os valores que cercam as relações amorosas. Mesmo com um casamento feliz e pleno, como alguém pode ir se aventurar em outras águas? Um casamento feliz é sinônimo de acomodação total?
A estética geral talvez não seja muito fácil: todo filmado em preto-e-branco. Além do mais, o filme data de 1979, então a própria qualidade da imagem em geral fica mais precarizada, contudo nada que realmente interfira nas sensações. Talvez só te aproxime de uma Manhattan mais charmosa e mais antiga. Enquanto isso, as atuações são muito boas, em especial a do Woody Allen, como quase sempre em seus filmes, e da jovem moça que interpreta sua namorada colegial.
E se o grande trunfo do filme jaz no roteiro, este é impecável em todos os sentidos, desde as personagens bem construídas até o ritmo certeiro e as falas bem colocadas, mas parece mesmo sendo impecável, o filme ainda nos passa a sensação de faltar algo, da inexistência de uma proximidade entre nós e as personagens. Entretanto, a todo momento ele nos faz pensar sobre aonde realmente mora a felicidade, sobre como os relacionamentos passados nos afetam, sobre como o ser humano se corrompe ao longo da vida. E o filme fecha com a fala que representa, no fundo, o verdadeiro espírito do filme: "Nem todo mundo está corrompido. Tem de ter um pouco de fé nas pessoas". E talvez seja verdade que precisamos ter mais fé nelas.
Em uma nota?
9.5
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