sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
A Partida
A Partida
Direção: Yojiro Takita
Roteirista: Kundo Koyama
Elenco: Masahiro Motoki, Tsutomu Yamazaki, Ryoko Hirosue, Kazuko Yoshiyuki
Do que se trata?
O filme conta a história de um jovem chamado Daigo, violoncelista de uma orquestra em Tóquio, que mora com a esposa em uma vida simples e tranquila. Contudo, sem aviso prévio ou espera, a orquestra é desfeita, e a única opção que lhe resta é voltar para a sua cidade natal no interior do Japão e morar na casa deixada por sua mãe como herança, e rumar em busca de emprego na nova moradia. Seguindo um anúncio de jornal para uma vaga bem remunerada e sem necessidade de conhecimentos específicos, Daigo arruma um emprego atípico: preparador de corpos para enterros.
Como realmente é?
Absurdamente difícil de falar. Mas talvez seja o filme mais tocante que eu já vi, do tipo que nenhuma sinopse ou crítica vai conseguir transmitir todas as emoções que ele provoca. Tendo como protagonista um jovem japonês desempregado e desiludido com a arte que praticava, uma personagem um tanto cômica, atrapalhada e simpática, o filme fala de uma maneira maestralmente leve de um dos grandes medos da humanidade em geral: a morte. E, mais do que a morte simplesmente, a passagem que ela cria, tanto para os vivos como para os mortos.
O que eu achei?
Que não importa o meu esforço nessa crítica e as horas gastas, eu nunca vou conseguir chegar perto da beleza dele. Tendo uma história bastante simples e normal, ele se constrói num conjunto de obra que seria necessário criar uma nova palavra para tentar caracterizar, tamanha é a perfeição. Tudo fruto de uma fotografia muito bem feita, com closes nas horas certas e um afastamento artístico impecável, em comunhão com uma trilha sonora instrumental belíssima e um roteiro humano de falas simples, mas história complexa, que estabelece poucas falas entre as personagens. E, para completar tudo, atuações impecáveis; talvez o roteiro em si seja simples porque somente pelos olhares das personagens voam emoções que as palavras dificilmente encontrariam espaço para explicar, dor, sofrimento, alegria, desespero, perdição, tudo é passado a quem vê somente pelos olhares e pelos closes certeiros.
Falando sobre a morte, é de se esperar que o filme caia na armadilha de virar uma obra depressiva e triste, densa e pesada, que suga do seu espectador toda a sua vontade de viver. Entretanto, o filme usa de um excelente bom humor, além da sua abundante sensibilidade humana, para criar uma aura extremamente leve e quase alegre para abordar um tema tão pesado. Nunca se utiliza de atenuar a dor das personagens para nos provocar igual dor, contudo se cria lenta e serenamente um sentimento de reflexão e tristeza no espectador, que vê na obra uma maneira sadia e bela de se tratar o morrer: é tudo uma passagem.
Evitando pensar sobre o pós-morte, o objetivo é falar sobre aqueles que ficaram. Porque pouco importa se há além ou não, se há espírito ou não, tudo isso depende de crenças individuais, contudo o inegável é que os vivos continuam vivos, e a eles pertence a verdadeira dor da morte. A eles pertence a verdadeira dor de enterrar aqueles que amam, a eles pertence o sofrimento dos arrependimentos, a eles pertencem as lágrimas de tristeza que serão derramadas, por dentro ou por fora. E se a morte é algo fatídico e inadiável, se a passagem é a constante realidade da vida, que ao menos ela seja feita de uma maneira natural, pois isto que a Morte é: natural.
Ao invés de qualquer expectativa, o filme não nos dá vontade de morrer. Mas pelo contrário; ele nos enche de vontade de viver. Viver, viver e viver, pois a natureza e fim da vida está na Morte, e a passagem não é feita depois dela, mas sim durante o singelo intervalo entre nascer e morrer, também chamado de vida.
Em uma nota?
10.0
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Filme de extrema simplicidade , fraqueza nas interpretações ..o que por estranho que pareça o tornou um filme de uma extrema sensibilidade que a torna palpável .
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