quinta-feira, 3 de maio de 2012

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

Direção: Woody Allen
Roteirista: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Diane Keaton, Tony Roberts, Carol Keane, Paul Simon.

Do que se trata?
O filme é a história do conturbado relacionamento entre Alvy Singer, um neurótico comediante nova iorquino totalmente apaixonado por sua cidade, que faz terapia há 15 anos sem grandes resultados, e a jovem Annie Hall, uma mistura de cantora e atriz vinda do interior norte-americano e um tanto perdida dentro do caos da cidade grande. E, entre términos e reatadas, brigas e momentos de paixão, imersos em suas dúvidas individuais, eles seguem, ou quase, a relação.



Como realmente é?
É uma grande viagem no quesito relacionamento. Em nenhum tipo de sinopse seria possível ter um breve vislumbre do filme, além do mais óbvio, sem que se estrague o efeito surpresa. "Mas, além de você ter falhado na sinopse, como ele realmente é?". Ah, ele? Ele é a perfeita fotografia panorâmica detalhada de como pode ser uma relação a dois.

O que eu achei?
Eu achei bom pra cacete. Não tem muito como fugir de elogiar o filme; ele já começa te cativando desde o início, ao mesmo passo que te assusta, com o Woody Allen, sempre com seus trejeitos de neurótico, em seu monólogo de relacionamento. Não sabemos se sentimos pena do Alvy ou se rimos da maneira como ele expõem tudo.
O roteiro é simplesmente fenomenal. É fato que algumas piadas acabam sendo um tanto seletivas, ou satirizando o método de vida norte-americano em geral, ou dançando com figuras intelectuais e obras literárias. Porém, no campo da narrativa, o roteiro caminha muito bem com suas loucuras. Temos a sensação que não existe uma certa linearidade do tempo; o Tempo dança de um lado para o outro sem que percebamos de verdade. Não observamos claramente o início, o meio e o fim, várias vezes, de um relacionamento; temos diversas fases, tanto boas como ruins, do mesmo relacionamento se apresentando sem um verdadeiro meio. Somos encaminhados da paixão à crise sem pausa para sentir a tempestade. Mas, o que poderia desconstruir a história e deixá-la cheia de vazios, apenas torna-a mais interessante e evita que ela caia na perdição de ser a história de um amor que nasce, cresce e morre. Nós vivemos a história do Alvy e da Annie, às vezes só o Alvy e suas crises, às vezes só a Annie e suas dúvidas, e às vezes os dois se apaixonando e se perdendo.
E, para dar conta do roteiro totalmente atípico de história de amor, há o ator-diretor-roteirista Woody Allen e a Diane Keaton em estado de graça. Há uma naturalidade, uma afinidade incrível entre eles. Você realmente acredita que a Diane é uma perdida mulher, com sorriso de criança, abarrotada de dúvidas e desencaminhada, que não sabe se canta, se atua. Você também acredita fielmente que o Woody é aquele sujeito meio esquisito, que só sabe falar rápido e gaguejando um pouco, que só sabe ver no mundo tristeza e miséria, entupido de neuroses e insegurança. E o mais fascinante: eles te levam a acreditar que o romance deles realmente pode dar certo, mesmo que tudo diga que jamais daria.
No fundo, não é o romance que importa, mas sim a sensação de ver ambos crescendo. A história de amor, o namoro-casamento deles, está sempre em primeiro plano, seja ele real ou apenas uma construção do passado, porém o mais importante e delicioso do filme é sentir a mudança que há no Alvy e a na Annie. Essa é a verdadeira beleza do efeito temporal e do filme: poder tocá-los como entes separados, e vê-los como entes unidos.

Em uma nota?
10.0

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