A Chave de Sarah
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Roteiristas: Gilles Paquet-Brenner e Serge Joncour
Elenco: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup, Frédéric Pierrot, Michel Duchaussoy, Dominique Frot, Natasha Mashkevich, Gisèle Casadesus, Aidan Quinn, Sarah Ber
Do que se trata?
O filme conta a história de uma jornalista norte-americana residente na França, nos tempos atuais, que investiga a história do recém-adquirido apartamento, um legado de família, num bairro conhecido por abrigar muitos judeus antes da ocupação nazista na França. Acreditando que o apartamento, originalmente, pertencia a uma família judia e forçada a desocupá-lo nos tempos da Segunda Guerra, ela inicia uma jornada ao passado não só do apartamento, mas da família do marido, para achar a verdade e os antigos donos, na esperança de poder devolver a eles o que lhes é de direito: o apartamento.
Como realmente é?
O filme é uma história emocionante sobre nazismo, tempos de guerra, promessas e esperança. A protagonista real não é a jornalista, mas sim o seu objeto de pesquisa: uma, na época, garotinha chamada Sarah, cujo nome não consta em nenhum documento oficial sobre as mortes em campos de concentração, embora ela tenha estado em um. Trabalhando nesse paralelo presente-passado, o filme embarca em cenas dignas de lágrimas e comoção quando se volta para aquilo que o tempo já se ocupou de destruir, contando a história da jornada da Sarah para voltar ao seu antigo apartamento em Paris e, com a chave do armário que ela guarda com todas as energias, poder abrir o tal armário e desaprisionar o seu irmão, que foi ali aprisionado por ela numa tentativa de salvá-lo dos oficiais franceses que foram buscá-los. Enquanto isto, no presente temos a jornalista, a ponta entre o passado e o presente, e seus próprios dramas familiares: divórcio, gravidez, e brigas conjugais, além da relação com os sogros que foi abalada pela busca da história do apartamento.
O que eu achei?
Um desperdício. Não de tempo!, mas sim de roteiro. O roteiro tinha praticamente todos os elementos para ser brilhante, fenomenal, emocionante e dar o merecido 10 para o filme, porém falhou. Ele consegue ser perfeito, mas só na metade passado do filme, com uma história toda bem estruturada, bem feita, digna de lágrimas, uma fotografia realmente tocante e na medida, com tomadas em movimento que te faz arrepiar a espinha dorsal. Contudo, quando se trata do presente, ele falha intermitavelmente. Creio que uma boa meia hora do filme era bem desnecessária para a obra, que teria sido bem melhor sem ela. As dramas da protagonista, quando não desrespeitam ao apartamento e sua história, são superficiais, banais e clichês, se retendo a brigas conjugais com o marido, um dilema um tanto bobo quanto a sua gravidez em idade avançada e um marido que teima em não aceitar a idéia dela vir a ter o filho. Tudo bem superficial. Tudo bem cortável.
Entretanto, é tudo perdoável; já como o filme está quase sempre no passado, você acaba se esquecendo do presente e vive toda a dor da pequena Sarah na França tomada por nazistas, a sua família que lhe é arrancada dos braços, o irmão aprisionado no armário. Porém, a partir de um ponto o filme perde esse ritmo, e a trama é puxadas mais para aquilo que está de fato acontecendo. Então, o ritmo do filme desanda totalmente. Temos uma história banal, personagens, fora a jornalista, que nunca foram, até então, explorados ao fundo, e assim toda a obra do roteiro é abalada; ele se perde completamente. Diria que, do ponto em que passamos a saber tudo sobre a vida de Sarah, o filme fica sem lógica, sua luz vai embora até, no final, entrar nas trevas totais, tendo um final clichê, digno de filmes norte-americanos basicos e que desmerecesse muita coisa.
Como eu disse, achei o filme um grande desperdício: uma história muito boa, fenomenal, belíssima, contudo mal trabalhada. Ver algo assim é uma das maiores dores possíveis.
Em uma nota?
7.5

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