terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Nevoeiro

O Nevoeiro
Direção: Frank Darabont
Roteirista: Frank Darabon
Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Alexa Davalos, Willian Sadler, Laurie Holden, Chris Owen, Nathan Gamble, Andre Braugher

Do que se trata?
Se trata de um supermercado ilhado em névoa. De um nevoeiro nunca antes visto. De criaturas tenebrosas. De pessoas diferentes presas juntas. De medo, pavor, desespero. De máscaras caindo. De desestabilidade. De insanidade.  Da sociedade. De um pai disposto ao possível e ao impossível para salvar seu filho.
Se trata de nós.

Como realmente é?
Muito além de qualquer expectativa. Quando vi este filme, não sabia do que o Stephen King e qualquer obra sua era capaz; talvez, se soubesse, teria uma prévia de o quão psicológico este filme poderia ser. Embora o filme não seja do King, ele é baseado numa obra dele, e acho que talvez não seja a toa o título de "Mestre do Terror" para o Stephen King. O cara sabe como nos prender pelo psicológico. Aos poucos, o que menos importa é o nevoeiro e suas critaturas bizarras; passamos a ter medo dos humanos. Se você acha que este é um filme qualquer clichê de terror, com monstros, sangue e sustos, engana-se letalmente: você está diante de uma obra de puro terror psicológico.

O que eu achei?
Cara, fantástico. O filme é um excelente terror psicológico que vai mexendo aos poucos com a sua cabeça. Começa como um filme qualquer de terror, o nevoeiro branco tomando conta de tudo lentamente e, de repente, todos presos naquele supermercado. Depois, os primeiros indícios de monstros habitando o nevoeiro, e uma certa dose de pavor já circulando o ar. Contudo, conforme a "força" do nevoeiro cresce dentro das pessoas, a suposta sanidade que nos envolve começa a sucumbir. A loucura e o medo tomam as rédeas, e a partir daí percebemos como tudo se torna tão perigoso dentro do supermercado como fora dele. Se do lado de fora temos a cegueira branca de não poder ver o que há a 10 metros de distância, dentro há a cegueira igualmente branca de não poder agir com razão.
Parece que o supemercado se torna uma metáfora do que pode ser visto como a nossa própria humanidade e sociedade. Primeiramente, todos controlados diante do nevoeiro, com as feições cobertas de razão: seres humanos racionais. Contudo, ao primeiro alarme de que dentro do nevoeiro pode habitar algo que está além dos limites de compreensão humanos, esta razão diminui e o medo começa a cavar seu buraco. Desde então, gradualmente, todo o controle que fingimos ter sobre nós mesmos vai ruindo e o medo toma plenos poderes daquelas pessoas ali trancafiadas e um tanto largadas à sorte. E, como cegos lançados a um mundo desconhecido e impalpável, elas tentam se agarrar a qualquer algo que lhes dê confiança, e assim vão para a religião. E o seu fanatismo.
É um dos filmes de terror que eu mais senti a presença do humano como objeto do próprio terror. A maneira como o diretor explorou a obra do Stephen King, conhecido como o Mestre do Terror Psicológico, e assim destrinchou toda a humanidade no filme é belíssima. Além da dualidade sanidade/insanidade, há também o sofrimento e a dor humanas, sempre muito bem exploradas por uma câmera certeira no foco e que dava um pequeno zoom nas expressões faciais de algumas personagens.
As atuações são muito boas, passando uma naturalidade bem feita sobre o próprio ser humano. São pessoas reais interpretando papéis reais, e realizando, assim, um perfeito retrato do que é, ou pode ser, o nosso mundo em tempos de crise. Do que somos nós sem as verdades que construímos para nós mesmos.
No final, você não vai ter medo dos monstros nem do nevoeiro. Vai ter medo de nós, seres humanos.

Em uma nota?
9.0 

Uma dica: 
Se você gostou do filme, vale a pena conferir o texto "O Nevoeiro" do Stephen King, um conto com aproximadamente umas 120 páginas, muito bem escrito e que diverge do filme em poucos pontos. É um excelente conto. 

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