sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Apenas o Fim

Apenas o Fim
Direção: Matheus Souza
Roteirista: Matheus Souza
Elenco:Gregorio Duvivier, Erika Mader, Marcelo Adnet, Nathália Dill.

Do que se trata?
O filme conta a história de uma garota que decide terminar com o seu namorado para concretizar sua fuga rumo a algum lugar desconhecido. Com apenas uma hora para passarem juntos, eles se põem a andar pelos caminhos da PUC revivendo o passado da relação, atenuando questionamentos do presente e imaginando cada qual o seu futuro: um sem o outro. E, entre as idas e vindas das lembranças, deixam os sentimentos voltarem e as dúvidas oscilarem, enquanto, ao mesmo tempo em que percebem como são estranhos um ao outro, sentem como são diferentes do que eram.
Se trata, acima de tudo, sobre o Tempo, sobre infelicidade, sobre mudança e sobre o amor.


Como realmente é?
É um filme bem diferente do que se pode esperar. Tendo todos os ingredientes para ser um perfeito drama de nostalgia e depressão, como o casal em crise, os personagens existenciais, as dúvidas, as incertezas, as infelicidades, ele acaba fugindo de praticamente todas as rotas convencionais e trilha um dueto de humor e drama muito bem estruturado. O fim já deixou de ser uma variável; é uma realidade a ser aceitada, e dessa maneira ele acaba se tornando um coadjuvante dentro da trama. O que verdadeiramente importa no filme não é o que está acontecendo, mas sim o que aconteceu: o passado é aquilo que está a ser discutido. Mas, mesmo com esse adicional de suposta nostalgia, o filme não cai na rota da depressão e continua seu dueto de refinado humor sutil nos detalhes.


O que eu achei?
Encantador. Ambas personagens são encantadoras, porém o garoto mais que a garota: ele é um perfeito ex-nerd, ou então ainda nerd, que anda com os óculos do avô, camisas do Star Wars, coleciona bonecos e sabe tudo de cultura nerd, enquanto a garota faz o tipo de menina tranquila, despachada, com mente liberal e bem-humorada, contudo com dramas existenciais e uma infelicidade que a persegue a todo instante.
Sempre numa dança de passado e presente que, além das retomadas indiretas no jogo de diálogo entre eles, se faz também em flashs diretos em preto e branco de momentos dos dois no passado, o roteiro caminha de uma maneira muito boa. Simpático, descontraído, original e entupido de piadinhas referentes a toda uma geração, são apenas algumdas das características do roteiro. No fundo, ele é todo bom, dando margem a filosofia e a profundidade das questões do tempo atual, ou seja, o término e todo o peso que ele traz consigo, entretanto dando espaço ao sonho para com o futuro e ao humor. São jovens discutindo o amor e sepultando-o, de certa forma. São jovens vivendo o fim daquilo que construíram, mas que fazem o que é certo: fazem do fim apenas o fim. E, desse jeito, o filme estabelece seu grande pilar: encarar o fim como a coisa menos importante de todas. O grande desencadeador da história é o que menos tem holofote para os dois jovens; o que realmente importa são as lembranças, são as memórias, é o passado morto mas nunca enterrado. Se no início o garoto dá tanta importância ao martelo da separação, durante a caminhada-conversa dos dois ele finalmente entende que é o fim, porém não o esquecimento.
E o fim, ah, o fim é apenas o fim. Encantador e triste, mas é apenas o fim.

Em uma nota?
9.0

Quer saber uma curiosidade?
Ele foi todo filmado, produzido, dirigido e escrito por alunos da faculdade de cinema da PUC, com recursos amadores e capital longe de qualquer quantia que se assemelhe a uma grande produção. O que só deixa o filme mais encantador. 

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